a jaguarizacion reader

Dec 02

III. Ciberplantas, Primo Lévi e controvérsias da vida verde

Essa crítica leva em conta que, apesar de ser fundamental a leitura dos autores canônicos mencionados - que compartilham uma certa linha discursiva de combate à comidificação do planeta - não é suficiente para o ecoativismo trabalhar com um marxismo baseado em uma lógica de continuidade e ruptura. A reflexão de Deleuze e Guattari sobre os blocos de devir que ressoam a todo tempo oferece condições criativas para pensar uma filosofia da diferença capaz de uma rede aberta, a configurar revoluções permanentemente - revoluções alimentadas por rizomas que vibram ininterruptos, desdenhando antropocentrismos. Se, faute de mieux, é para falar em “anjos guardiões”, deve ser por aqui que os meus abrem as asas.

Quero dizer, enfim, que o mundo não vai acabar. Não confudamos a agonia do modo civilizatório-ocidental de se relacionar com a Terra com Apocalipse bíblico ou cinema-catástrofe hollywoodiano. Para pensar sobre possíveis engajamentos neomarxistas ou altermondialistas, o mote da vez não é a luta de classes, mas a constante reavaliação das relações assumidas com o meio-ambiente. Penso, por exemplo, de modo otimista em relação a programas holísticos de Agricultura Natural. Starhawk tem viajado o mundo com algumas alternativas que já salvaram alguns de pular em poços de escadaria. E assim caminha-se. Com o desejo de um 2012 sem vergonha para todos, prefiro compactuar com uma bruxa neopagã permaculturista do que com um designer que pretende despir plantas de seu “status ornamental” ao fazê-las habitar redomas Jetsonianas.